Merenda escolar está na agenda de governo na Grã-Bretanha
  Data: 30/03/2005



O jovem chef de cozinha Jamie Oliver conseguiu colocar o cardápio servido nas escolas na agenda política da Grã-Bretanha, que terá eleições gerais no mês de maio.
A campanha contra a comida de má qualidade lançada pelo chef de 30 anos chegou a Downing Street, sede do governo britânico, onde Oliver apresentou um abaixo-assinado, com mais 270.000 assinaturas, exigindo que o governo gaste mais dinheiro para garantir refeições mais saudáveis e nutritivas nas escolas.

O famoso chef, que no final de fevereiro lançou uma campanha contra a comida ruim servida nas escolas, a qual responsabiliza pelo aumento da obesidade infantil na Grã-Bretanha, foi recebido na manhã desta quarta-feira, 30, em Downing Street pelo primeiro-ministro Tony Blair e pela ministra da Educação, Ruth Kelly.

Kelly havia divulgado, pouco antes de Oliver apresentar o abaixo-assinado, um pacote de 280 milhões de libras (530 milhões de dólares, 308 milhões de euros) para a melhora da qualidade da alimentação servida nas escolas. No entanto, negou que a iniciativa tenha sido tomada por causa da campanha lançada pelo chef.

"Estamos falando sobre isto há semanas, meses", disse Kelly, que deu entrevistas a várias emissoras de rádio e televisão.

O anúncio do governo foi feito a poucas semanas das eleições legislativas na Grã-Bretanha, que devem acontecer no dia 5 de maio e nas quais os trabalhistas esperam obter um terceiro mandato consecutivo.

"A oferta do governo chegou com 20 anos de atraso", se queixou Oliver, cuja campanha - que revelou os menus típicos nas escolas britânicas, que consistem freqüentemente de pescado ou frango frito e bebidas gasosas, como refrigerantes - estremeceu o país.

Graças a Oliver, grande parte dos britânicos passou a saber, com espanto, que muitas escolas gastam apenas 37 centavos (70 centavos de dólar, 53 centavos de euro) em uma refeição por aluno.

O famoso cozinheiro afirmou que a reunião com Blair e Kelly teve uma "boa energia" e que o governo prometeu reformar as cozinhas de todas as escolas do país dentro dos próximos cinco a dez anos.

Segundo Kelly, graças ao novo pacote, as cozinhas escolares poderão dedicar, nos próximos três anos, 50 centavos de libra a cada refeição para os alunos das escolas primárias e 60 centavos nas escolas secundárias.

Oliver - que cozinha desde os sete anos, quando ajudava no pub de seu pai em Essex, Inglaterra - também pede maior capacitação para as pessoas que trabalham nas cozinhas escolares.

O chef comemorou a "incrível resposta" dos pais, alunos e professores a seu abaixo-assinado para terminar com a comida de deficiente qualidade nutricional nas escolas britânicas. Ele disse acreditar que só conseguiria 20.000 assinaturas.

Até a manhã da quarta-feira, 30 de março, o pedido havia sido assinado por 271.677 pessoas

Nota do Editor: Excelente iniciativa britânica que esperamos consiga sensibilizar os responsáveis pelos programas de alimentação escolar de nosso país: qualidade e segurança nutricional é política de estado.





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