Europa: publicidade direcionada a crianças terá limitações
  Data: 17/03/2005



A ministra espanhola de Saúde e Consumo, Elena Salgado, anunciou, dia 15 de março, na cidade de Toledo, na Espanha, que as empresas de "comida rápida" - fast food -, irão limitar sua publicidade nos meios de comunicação durante o horário infantil na TV, para evitar que seus hábitos alimentícios possam ser influenciados por este tipo de produtos que baseiam sua dieta nos junk food (literalmente, alimentos-lixo).

"Temos conversado com a indústria (de ‘comida rápida’, fast food) e esperamos poder assinar nas próximas semanas um convênio de autorregulamentação para que a própria indústria, voluntariamente, limite a publicidade nestes horários", declarou a ministra, que durante dois dias esteve reunida na cidade ibérica com representantes de ministérios da Saúde da Suécia, da Alemanha e do Reino Unido.

Hambúrgueres, pizzas, cereais açucarados, aperitivos salgados ou produtos de confeitaria serão alguns dos alimentos atingidos por este convênio, e que deixarão de ocupar os espaços publicitários em horário infantil, nos meios de comunicação audiovisuais.

Alarmante quantidade
Segundo o informe sobre televisão e crianças, elaborado pela Confederação Espanhola de Organizações de Donas de Casa, Consumidores e Usuários (CEACCU), apresentado em março em Madri, uma criança pode chegar a presenciar até 91 anúncios de produtos de fast food, padaria ou salgadinhos, sem mudar de canal, em uma só manhã de sábado. O estudo revelou que, neste período, na rede de TV Antena 3 foram registrados 91 anúncios deste tipo, na Telecinco, 41 propagandas, e, na TVE-1, cerca de 44. Sua autora, Lola Lara, revelou, em conferência de imprensa, a "alarmante" quantidade deste tipo de anúncios, que se referem tanto a estabelecimentos quanto a alimentos de alto conteúdo calórico e baixo valor nutricional, como frituras, chocolates ou bebidas açucaradas (refrigerantes).

A presidenta da CEACCU, Isabel Ávila, adiantou que sua organização havia solicitado à ministra da Saúde, Elena Salgado, e à vice-presidenta de Governo, María Teresa Fernández da Vega, que não se permita a transmissão de nenhum anúncio deste tipo na programação infantil.

Em uma tentativa de impedir o aumento da obesidade infantil registrado nos últimos anos na União Européia (UE), a Associação Européia de Consumidores (BEUC) pediu também que se restrinja a publicidade destes alimentos destinados às crianças.

Aumento da obesidade
A Organização de Consumidores e Usuários (OCU) apresentou estudo no princípio do ano sobre a publicidade televisiva dirigida aos menores de 12 anos. Nele se recordava que na Espanha, mais de 26% da população infantil apresenta problemas relacionados ao peso, e estes valores duplicaram-se em apenas uma década. Na conclusão do relatório se denunciam as consequências na dieta dos cerca de 100 anúncios diários que podiam assistir as crianças no horário infantil.

A porta-voz da OCU, Ileana Izverniceanu, declarou, na apresentação do estudo, que a maioria dos produtos apresentados pela publicidade transmitida durante a programação infantil é rica em gordura, açúcar ou sal, e que a publicidade "fica tomada pelo ‘grupo dos 5’: doces, fast food, cereais açucarados, aperitivos salgados e refrigerantes. Esta proposta alimentar é claramente contrária às necessidades nutricionais de nossos pequeninos".

A alimentação é o setor de maior destaque da publicidade em geral. Segundo dados do estudo da OCU, 25% dos anúncios são deste tipo. Isto implica mais de 42 horas de emissão durante a semana. O curioso é que durante a programação infantil a presença deste tipo de anúncios é duplicada, chegando a ser de até 48% da propaganda emitida. As redes que mais publicidade deste tipo transmitem neste horário são Antena 3 e Telemadrid.







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