Carboidratos são maiores vilões na dieta brasileira
  Data: 14/01/2005




Ainda são os carboidratos presentes em bolachas, bolos e pães, e não as gorduras, os principais vilões da dieta das crianças brasileiras. Nos Estados Unidos, as gorduras hidrogenadas representam maior perigo à população infantil.

Por essa razão, os nutro pediatras avaliam que são necessárias regras adequadas à realidade do país para conter a crescente epidemia de obesidade infantil.

Pesquisa recente do grupo Ibope, com 25 mil pessoas, aponta que, entre os pesquisados, 35% dos indivíduos entre 7 e 12 anos estão acima do peso. Desses, 77% já podem ser considerados obesos. Nos EUA, a obesidade infantil triplicou nos últimos 30 anos, atingindo 15% da população infantil.

Para o médico Carlos Alberto Longui, professor da Santa Casa de São Paulo, o Brasil está "alguns passos atrás" longe dos padrões americanos em relação ao controle da qualidade dos alimentos.

"Em muitos rótulos, não há definição da quantidade de subprodutos dentro dos alimentos, e, quando há, a população não sabe interpretar esses dados", afirma.

Nas portas das escolas, ou até mesmo nas cantinas dentro dessas instituições, a situação chega a ser pior. "Muitos alimentos ainda são vendidos sem nenhuma informação nutricional, às vezes, até sem rótulo", afirma.

Por isso, centrar as atenções no ambiente, e não apenas nos indivíduos, é a nova meta dos endocrinologistas pediátricos. Um projeto, chamado "Escola Saudável", pretende conscientizar alunos, diretores, professores e funcionários da importância de fazer circular nesse ambiente uma alimentação mais saudável.

Segundo a médica Cristiane Kochi, secretária do departamento de endocrinologia da Sociedade Paulista de Pediatria, o projeto já funciona em algumas regiões do país e deve chegar às escolas paulistas ainda neste ano.

Além da obesidade, Kochi afirma que é cada vez mais freqüente o número de crianças com alto índice de colesterol ruim e gordura no sangue (triglicérides). Uma criança obesa tem 50% a mais de chance de se se tornar um adulto obeso, desenvolvendo doenças como diabetes, derrames e infartos.

A idéia de combater a obesidade infantil por meio de uma estratégia de responsabilidade social --e não apenas pessoal-- também é defendida nos EUA.

Ano passado, um grupo de pesquisadores do Instituto de Medicina das Academias Nacionais elaborou uma série de propostas para conter o alto índice de obesidade infantil. A oferta de refeições mais saudáveis em escolas e restaurantes, mais locais para a prática da educação física, restrições aos anúncios de televisão voltados às crianças e a formação de profissionais de saúde e educação de crianças estão entre as propostas defendidas.
De CLÁUDIA COLLUCCIda Folha de S.Paulo,14/01/2005



voltar