Unicef: quase metade das crianças brasileiras tem anemia
  Data: 30/03/2004





Cerca de 45% das crianças brasileiras com menos de cinco anos de idade apresentam anemia causada por deficiência de ferro, segundo relatório divulgado pela Unicef.

Esses índices são muito piores do que os apresentados por países latino-americanos como República Dominicana, El Salvador, Honduras e Guatemala.

Na região da América Latina e Caribe, o Haiti está em último lugar, com 66% de suas crianças anêmicas por falta de ferro.

Entitulado Deficiência de Vitaminas e Minerais (VM), o relatório estuda a situação de 80 países afetados por deficiência dessas propriedades, cobrindo cerca de 80% da população mundial.

Segundo o relatório, a falta dessas substâncias prejudica o desenvolvimento de milhões de mentes em todo o planeta, baixando os quoeficientes de inteligência.

1/3 da humanidade

Cerca de 87% das residências brasileiras utiliza sal iodado, índice ainda abaixo do apresentado por países como Uganda, Peru, China e Congo. Entre os latino-americanos e caribenhos, o Haiti também fica na última colocação.

O resultado é que 50 mil crianças brasileiras nascem anualmente com deficiências mentais causadas por falta de iodo,

“Essa é uma questão de atingir populações inteiras para protegê-las contra as conseqüências devastadoras da falta, mesmo que moderada, de vitaminas e minerais”, diz Carol Bellamy, diretora-executiva da Unicef.

Segundo a Unicef, esse problema seria responsável por impedir que um terço da humanidade atinja seu potencial físico e mental.

A deficiência de vitamina A, por exemplo, compromete o sistema imunológico de 40% a 60% das crianças em países em desenvolvimento.

A falta de ferro causaria a perda de 2% do PIB nos países mais afetados.

As conseqüências desse problema seriam muito mais graves do que eram imaginadas há uma década. A boa notícia, segundo a Unicef, é que se trata de um problema cujas soluções seriam viáveis.

Seriam quatro as formas de atacar a questão.

A adição de vitaminas e minerais a alimentos consumidos por uma considerável parcela da população. A iniciativa custaria poucos centavos de dólar por ano por pessoa.

Fornecer suplementos vitamínicos para grupos mais vulneráveis, em especial mulheres em estágio de amamentação e crianças. O custo disso também seria baixo.

Ensinar populações sobre os alimentos mais saudáveis, e em alguns casos, estimulá-las a cultivar esses alimentos.

O prosseguimento dos esforços para controlar doenças como malária e diarréia, que fazem o corpo perder vitaminas e minerais.

Esses foram os métodos que erradicaram o problema em nações desenvolvidas, e, segundo o Banco Mundial, “provavelmente nenhuma outra tecnologia hoje oferece uma oportunidade tão boa de melhorar vidas e acelerar o desenvolvimento a um custo tão baixo e um espaço de tempo tão curto”. (Fonte: BBC)




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