Cepal diz que fome diminuiu na América Latina
  Data: 26/08/2003

Na última década, os índices de subnutrição caíram em 20 dos 24 países da região, graças, segundo a Cepal, à redução da pobreza extrema e à maior oferta de comida.
Ainda assim, 55 milhões de latino-americanos e caribenhos vivem sem ter segurança do quê nem de quando vão comer, segundo o relatório, que foi feito em parceria com o Fundo de Alimentação da ONU (FAO).
De fato, em países como Haiti e Bolívia, 20% dos habitantes têm problemas para se alimentar.
Os especialistas da Cepal concluem que o problema da fome na América Latina tem mais a ver com a dificuldade de acesso da população, que muitas vezes não têm dinheiro para comprar comida, do que com a falta real de alimentos.
"A região apresenta enormes desigualdades no consumo de comida, que fazem aumentar a subnutrição e a insegurança alimentar para níveis mais altos do que deveriam ser, quando comparados com a habilidade de produzir e importar alimentos", afirma o relatório.
Segundo a Cepal, o número de crianças subnutridas diminuiu de 13% a 14% para entre 8% e 9%. Nos casos de subnutrição crônica, a queda teria sido de 23% a 24% para 18% a 19%.

A ONU define má nutrição como a falta permanente e aguda da comida necessária para atingir os níveis mínimos exigidos. A má nutrição seria a pior forma de subnutrição.

Segundo o diretor da Cepal, José Antonio Ocampo, os indicadores sociais da região só tendem a piorar com a previsão de um crescimento baixo e desigual para a região.

"A maioria dos países não deveria esperar melhoras significativas em suas condições de vida (em 2003)", afirmou Ocampo, na entrevista em que apresentou o relatório.
No ano passado, mais de 220 milhões de pessoas - 43,4% da população - os latino-americanos viveram em condições de pobreza. Trata-se de um aumento de 0,9%.
Do total de pobres, 95 milhões são indigentes, ou seja, não têm dinheiro suficiente para comprar uma cesta básica. Em termos percentuais, essa população aumentou de 18,2% para 18,8%.
Diante desses números, a Cepal recomendou que os governos da região adotem políticas para aumentar o acesso à boa alimentação entre as camadas mais pobres da população. "Nesse sentido, o Brasil se destaca por seus esforços por meio do programa Fome Zero", afirmou a Cepal.
Crédito: BBC










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