De que forma as gorduras podem favorecer ou prejudicar as crianças
Data: 11/03/2009


Denise Marco – Nutricionista da DM Nutrição e Marketing e da Associação de Assistência à Criança Cardíaca e Transplantada do Coração (ACTC), Especialista em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo, Especialista em Nutrição Parenteral e Enteral pela SBNPE, MBA executivo em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing

A gordura tem alta concentração energética e é a principal fonte calórica para vários tecidos. Fornecem ácidos graxos essenciais e vitaminas lipossolúveis e são utilizadas na produção de hormônios e prostaglandinas.
Seu consumo deve ser adequado devido sua alta concentração energética e a qualidade da gordura ingerida.
Os ácidos graxos podem ser saturados, quando há apenas ligações simples entre os carbonos, ou insaturados, quando há uma ou mais duplas ligações entre os carbonos. Os insaturados diferem de acordo com o número de duplas ligações podendo ser mono (uma dupla ligação) ou poliinsaturados (mais de uma dupla ligação) onde a posição da dupla ligação a partir da terminação metil é representada por ômega (ω3, ω6 ou ω9).
Alguns ácidos graxos poliinsaturados são essenciais e devem estar presentes na dieta por não serem produzidos endogenamente.
Os ácidos graxos essenciais são necessário para estimular o crescimento, manutenção da pele, crescimento capilar, participam de reações inflamatórias e estão relacionados à resistência imunológica e sua deficiência ainda está associada a prematuridade, baixa ingestão e má absorção.
Os ácidos graxos ω3 (óleo de peixe, noz, canola) tem efeitos benéficos na prevenção de doenças cardiovasculares e em alterações imunológicas.
Os ácidos graxos monoinsaturados (ω9), oriundos de óleo de canola, oliva e amendoim, estão associados a diminuição da incidência de doenças cardíacas e contribuem para maior proteção contra a peroxidação lipídica. A substituição de gorduras saturadas por monoinsaturadas leva a diminuição do risco de coronariopatias.
As gorduras saturadas são de origem animal e seu consumo excessivo está associado a incidência de aterosclerose e hipercolesterolemia.
As gorduras trans são formadas durante o processo de hidrogenação, no qual os óleos vegetais são convertidos em margarinas e gorduras vegetais. Essas gorduras além de elevar a concentração de LDL (Lipoproteína de baixa densidade), também têm o potencial de diminuir os níveis plasmáticos de HDL (Lipoproteína de alta densidade).
Visando manter a população informada, o FDA (Agência Americana de Controle de Alimentos e Remédios) e a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabeleceram uma norma que obriga os fabricantes de alimentos industrializados a discriminar no rótulo dos seus produtos a quantidade de gordura trans contida neles.
Crianças, especialmente nos primeiros anos de vida, apresentam necessidades nutricionais diferentes dos adultos. A preocupação na redução da ingestão de gordura pela criança em crescimento pode resultar em diminuição da oferta de ácidos graxos essenciais, que tem efeitos adversos sobre o crescimento e desenvolvimento normais.
Para crianças é necessário desenvolver uma dieta com quantidade e qualidade adequadas em gordura. Na tabela 1 pode ser observada a necessidade de lipídios de acordo com a faixa etária.

Tabela 1 – Recomendações nutricionais de lipídios de acordo com a faixa etária

Estágio de vida Lipídios*
0-6m 31g (AI)
7-12m 30g (RDA)
1-3 anos 30-40%
4-18 anos 25-35%

* Ácidos graxos w-6 (linoléico): 5-10% do valor calórico total
* Ácidos graxos w-3 (linolênico): 0,6 a 1,2% do valor calórico total (até 10% desse valor pode ser consumido como EPA e DHA).

Para oferecer uma dieta equilibrada e manter a saúde da criança evite a oferta de gorduras trans, diminua a ingestão de gorduras saturadas e inclua as gorduras mono e poliinsaturadas na alimentação diária.

Referências:
1. JPEN Journal Of Parenteral and Enteral Nutrition, 26:S25-26, 2002
2. Institute of Medicine – Dietary Reference Intake, 2002
3. LOPES, F.A, Brasil, A.L.D. Nutrição e Dietética em Clínica Pediátrica. São Paulo, 1a edição. Ed. Atheneu, 2003.
4. INTERNATIONAL LIFE SCIENCES INSTITUTE DO BRASIL (ILSI). DRIs. São Paulo, Nov. 2003.
5. NATIONAL ACADEMY OF SCIENCES. Uses of Dietary Reference Intakes. Nutrition reviews, v.9, n.55, p.327-31, 1997.
6 – Waitzberg D, Borges, VC. Gorduras. In: Waitzberg D. Nutrição oral, enteral e parenteral na prática clínica, 3ª edição, Ed Atheneu, 2000.
7 – Jones PJH, Kubow S. Lipídios, Esteróis e seus Metabólitos . In: Shils ME et al (eds.). Tratado de Nutrição moderna na Saúde e na Doença. 9. ed. Manole, 2003.




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