Fontes para combate a fome podem estar secando, alerta representante da ONU
  Data: 16/10/2008



O representante da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) no Brasil, José Tubino, alertou nesta quinta-feira (16) para a possibilidade de falta de recursos para investimentos no combate à fome. Segundo ele, é preciso repensar as prioridades para aplicação de verbas.

"No ano passado, as Nações Unidas solicitaram US$ 30 bilhões para aplacar a crise alimentar e reduzir a pobreza no mundo, mas não conseguimos esse valor. E agora, com este investimento de US$ 2,5 trilhões que foram dirigidos para mitigar a crise financeira, nós temos uma grande preocupação de que talvez as fontes financeiras para programas de desenvolvimento estariam secando. Nós temos esta preocupação", disse.

Medidas protecionistas devem ser evitadas durante
a crise, diz diretor da FAO
Segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO, diante da crise mundial, é preciso que os governos evitem medidas protecionistas no comércio. "Será muito ruim se isso acontecer e a vontade política mobilizada recentemente para apoiar a agricultura dos países em desenvolvimento também evaporar", ressaltou, em comunicado

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Para Tubino, a crise financeira trouxe uma perspectiva pouco otimista para as questões ligadas ao desenvolvimento no futuro próximo. "Nós vamos enfrentar anos difíceis daqui pra frente, que vão exigir mudanças de valores para saber quais serão as prioridades. Não tenho bola de cristal para saber o que vai acontecer no mundo dentro de dois, três anos, mas digo que isso vai depender de uma série de fatores, inclusive de quem vai ganhar as eleições nos Estados Unidos e que medidas serão tomadas, já que o que acontece lá tem impacto no mundo todo", destacou.

Também nesta quinta, Dia Mundial da Alimentação, o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, divulgou um comunicado destacando que somente cerca de 10% do valor necessário para promover a segurança alimentar foram aplicados. E a maior parte dos recursos foi empregada em ações emergenciais.

"Precisamos de vontade política e compromisso financeiro se quisermos fazer os investimentos essenciais para promover um desenvolvimento agrícola sustentável e garantir segurança alimentar nos países mais pobres", ressaltou.

Crédito\: Claudia Andrade
Do UOL Notícias




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