Mel pode causar botulismo grave em lactentes
  Data: 23/09/2008



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem recomendando que crianças com menos de um ano de idade não consumam mel. O objetivo da orientação é prevenir a ingestão de esporos de Clostridium botulinum, bacilo responsável pela transmissão do botulismo intestinal. O alerta não surpreende porque periodicamente surgem na literatura científica mundial relatos que destacam a ligação entre mel e quadros de botulismo infantil. O motivo mais recente foi uma pesquisa nacional onde se investigou a presença de esporos de Clostridium em mel comercializado no Brasil. Cem amostras de mel comercializado em seis diferentes estados brasileiros (SP, MG, GO, CE, MT, SC) foram pesquisadas para a presença de esporos de Clostridium botulinum. Foram encontradas colônias de Clostridium botulinum que produzem toxinas ativas em 7% das amostras de mel comercial. Os autores destacam o risco de surgir botulismo infantil, especialmente em crianças abaixo de um ano de idade nas citadas regiões brasileiras.

Existem três formas de envenenamento por botulismo, distintas pela maneira em que elas são contraídas:
• intoxicação alimentar
• ferida
• infantil

No botulismo infantil a toxina é produzida quando esporos de Clostridium botulinum germinam no intestino. Raramente adultos adquirem a doença deste modo.
No botulismo por ferida, que é muito raro, a toxina é produzida pela bactéria Clostridium botulinum em uma ferida infectada.
Na intoxicação alimentar, a pessoa ingere a toxina pré-formada em um alimento contaminado. A incubação, entre a ingestão do alimento contaminado e o aparecimento dos primeiros sintomas, dura 12 a 36 horas. A sintomatologia inclui debilidade, paralisia, fadiga, boca seca, dificuldade para deglutir, diplopia (visão dupla), paralisia flácida, podendo levar a morte.

Fontes
1) Brasil MS. Agência Nacional de vigilância Sanitária.Menores de um ano devem evitar o consumo de mel. Accessível em www.anvisa.gov.br Acesso em 23/08/2008.
2) Almeida Filho, ESP et al. Botulismo em alimentos: um problema de saúde pública Hig. aliment; 2006;21(140):38-45.
3) Ragazani, AVF et al. Esporos de Clostridium botulinum em mel comercializado no Estado de São Paulo e em outros Estados brasileiros.. Cienc. rural 2008;38(2):396-399.
4) Thomasse Y er al. Three infants with constipation and muscular weakness: infantile botulism. Ned Tijdschr Geneeskd 2005;149(15):826-31.


Crédito: Dr. Paulo Aligieri
Boletim Tecnocold 22/09/2008




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