No casamento, piora a dieta das mulheres enquanto os homens comem melhor
  Data: 19/04/2006



Diga-me o que você come e eu lhe direi todo o bem que você ma faz... Este provérbio diz respeito aos parceiros na maioria dos casais, de tal modo os hábitos alimentares comuns, de uma maneira ou de outra, se tornam parte integrante da sua vida. Quanto à resposta, parece que ela varia principalmente conforme ao gênero.

Segundo pesquisas que foram conduzidas pelo Centro de pesquisas em nutrição humana da universidade de Newcastle, no Reino-Unido, as mulheres tendem globalmente a se alimentar de maneira menos saudável quando elas vivem com um cônjuge do que quando elas são solteiras. Enquanto isso, os homens, neste plano, têm tudo a ganhar com a coabitação.

A razão desta injustiça? Segundo a doutora Amelia Lake, co-autora de uma pesquisa publicada sobre este tema na revista profissional "Complete Nutrition" (datada de 5 de abril), tudo começa durante a lua-de-mel. Trata-se de um período mais ou menos prolongado, porém sempre definidor, durante o qual cada cônjuge, preocupado em agradar ao outro, troca espontaneamente seus hábitos alimentares contra os pratos prediletos da sua cara metade.

Ora, a diferença entre os sexos dá-se de tal forma que os homens, com maior freqüência, são atraídos pelos angiospermas (feijão, lentilhas, etc.) e os pratos de forte teor calórico. Enquanto isso, as mulheres - por natureza ou, mais provavelmente, por razões culturais - preferem comer frutas, legumes e alimentos leves.

Se acrescentarmos a isso a importância, sublinhada por muitos casais
interrogados, que reveste o fato de compartilhar no cotidiano ao menos a refeição da noite, dá para entender por que os hábitos de cada um se
modificam no decorrer dos meses.

Ganho de peso

Ao terminar seu trabalho de comparação de diversas pesquisas que foram
realizadas nos últimos anos junto a vários milhares de casais heterossexuais que vivem no Reino-Unido, na Finlândia, nos Estados Unidos e na Austrália, as conclusões de Amelia Lake são categóricas: a passagem para a vida conjugal resulta para a maioria das mulheres num ganho de peso, enquanto a balança, interrogada pelo seu cônjuge, não ganha nem perde sequer um grama.

Essa diferença é tanto mais marcante que as mulheres, segundo constata esta pesquisadora nutricionista, tendem com freqüência a compensar por meio dos alimentos o stress e o mal-estar que as suas relações conjugais podem gerar. Enquanto isso, os homens não modificam apesar de tudo seus hábitos alimentares, mas "parecem recorrer a outros mecanismos para apaziguar as tensões no seu lar".

Mas quando se avalia mais detalhadamente essas pesquisas, tudo indica,
contudo, que é a mulher que, no longo prazo, exerce uma influência mais
forte sobre a dieta e o modo de vida alimentar dos dois parceiros. Eis uma boa notícia, portanto, para a saúde nutricional do casal... Contudo, ela vem acompanhada, para a sua componente feminina, de um preço a pagar.

De fato, esta influência benéfica pode ser explicada principalmente pelo fato de que cabe a ela, na maioria dos lares estudados, providenciar a maior parte do abastecimento e preparar as refeições. Comer de maneira saudável ou libertar-se das tarefas domésticas: para uma mulher que vive com um cônjuge, é preciso escolher.
Fonte: Le Monde




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