Nutrição do recém-nascido

Prof. Dr. Rubens Feferbaum
Dr. Mário Cícero Falcão

EDITORA ATHENEU
Pedidos: atheneu@atheneu.com.br ou nas principais livrarias especializadas na área de saúde

APRESENTAÇÃO

Os importantes avanços verificados na Pediatria Neonatal nos últimos 20 anos, permitiu a sobrevivência de crianças antes consideradas inviáveis, por condições clínicas adversas, como a prematuridade extrema, os erros inatos do metabolismo ou mesmo graves má- formações passíveis de correção cirúrgica. O atual aparato tecnológico nas unidades de terapia intensiva neonatais compreendem aparelhos de ventilação microprocessados, incubadoras sofisticadas, monitores sensíveis a diversas variáveis fisiológicas e o uso de drogas potentes no controle hemodinâmico e no restabelecimento da função pulmonar do neonato. No entanto, talvez um dos maiores desafios na terapêutica destas crianças seja o de nutrí-las.

A desnutrição aguda, grave, comprometendo de forma notável a função de órgãos e sistemas, aliada à dificuldade de se adequar a melhor estratégia terapêutica nutricional é um dilema diário que a equipe responsável pelo atendimento à criança defronta-se. As conseqüências da desnutrição durante o período neonatal estão relacionadas a curto prazo ao aumento da morbimortalidade e a longo prazo, ao comprometimento do crescimento e desenvolvimento da criança.

É correto afirmar-se que métodos artificiais de nutrição, como a parenteral, tiveram avanços notáveis com formulações de aminoácidos, lípides, vitaminas e micronutrientes cada vez mais seguras. As fórmulas de uso enteral, completas para as necessidades de recém-nascidos de diversas idades gestacionais estão disponíveis nas unidades neonatais.
Nos últimos anos destaca-se o resgate do leite humano como nutriente fundamental para o recém-nascido gravemente enfermo o que também traz a presença da mãe nas unidades neonatais, promovendo a humanização do atendimento.

A importância do leite humano desenvolveu em nosso país o surgimento dos bancos de leite humano, apoiados e regulamentados pelos organismos oficiais.
Os meios para nutrir adequadamente o neonato doente parecem estar disponíveis na atualidade. No entanto, ao longo dos anos, presenciamos em nossas visitas diárias na unidade neonatal com médicos em treinamento, nutricionistas, enfermeiras e outros elementos da equipe multiprofissional dificuldades na avaliação, estratégias e prescrição nutricional.

A educação e a cultura do cuidado nutricional como base da terapêutica destas crianças nos parece de fundamental importância. Por este motivo, decorre a edição deste livro, que, esperamos, venha ser de utilidade para todos profissionais da saúde envolvidos no cuidado ao neonato.